À La Garçonne: um novo olhar sobre o vintage no SPFW

Texto por Rafaela Mattera e Deborah Klabin
Fotos por Letícia Cazarré

Em 2009, pelas mãos de Fábio Souza, nasceu em São Paulo a À La Garçonne, um brechó de roupas garimpadas mundo afora. Posteriormente, tornou-se também antiquário, com a venda de objetos e mobiliário antigo. No início deste ano, a marca apresentou sua primeira coleção no SPFW assinada por Alexandre Herchovitch, criada numa força-tarefa em apenas 45 dias. Com estreia contida, porém memorável, hoje sua 2ª coleção fez vibrar aqueles que assistiam ao desfile.

Tendo o MASP arquitetônico de Lina Bo Bardi como background, a história da coleção foi contada com peças de referência vitoriana, militar e esportiva. A pintura de cordas náuticas, já identidade da marca, dessa vez estampou as jaquetas e parkas, ao lado de tigres e cobras. Tecidos mais rígidos, como o brim e lonas, por exemplo, ganham novos ares quando somados a rendas e acabamentos delicadíssimos. Camisas de futebol, uniformes de piloto, camuflagem e mais um sem-número de elementos nada óbvios apresentados com harmonia impar, como só um grande criador -ou melhor, uma grande dupla criativa-, como Alexandre e Fábio, poderia fazer. Não bastasse abrir o dia da SPFW com pé direito, desfilaram oxfords reinventados, ora com abertura, ora trançados e sempre combinados com meias, deixando tudo ainda mais interessante.

Em pauta, a À La Garçonne mostra um novo olhar sobre o vintage. Não só estético, mas também na essência, incorporando conceito de upcycling, que consiste na reutilização e redução de desperdício de materiais.