LAB e sua passarela em fúria

Texto por Deborah Klabin
Fotos por Fernando Schlaepfer e Letícia Cazarré

Foto por Fernando Schlaepfer

Foto por Fernando Schlaepfer

O segundo dia do São Paulo Fashion Week deixou uma mensagem clara no ar: nada será como antes. O desfile de estreia da LAB, marca criada pelos rappers Emicida e Evandro Fióti desafiou tudo que se esperava ver numa passarela, e um pouco mais.

Desde o primeiro segundo, atitude. Muita. Emicida abriu o desfile cantando a trilha pensada especialmente para o evento. Começou, então, a entrada de modelos que fogem completamente dos estereótipos normalmente desfilados. Entre black powers gigantescos, carecas –masculinos e femininos-, plus size, brancos, negros, altos e baixos, a LAB, sem precisar falar muito, disse tudo que precisa ser dito sobre o debate a respeito de igualdade, diversidade e inclusão, de toda sorte, em todas as esferas. A presença de Ellen Oléria na passarela deixou tudo ainda mais interessante. E como se fosse pouco, surge o cantor Seu Jorge, vestindo nada menos que moletom e uma saia longa, densa, plissada e desafiadoramente máscula.

Foto por Fernando Schlaepfer

Foto por Fernando Schlaepfer

A coleção desenvolvida com o estilista Thiago Ferraz apresentou peças muito street, com uma paleta de cor majoritariamente preta, branca e vermelha, estampas gráficas e peças estruturadas. Há também referências de padronagens angolanas resignificadas com ares pouco étnicos e bem contemporâneos. Capuzes amplos e jaquetas presas por alças internas, largadas sobre as costas, também marcaram a coleção, que, segundo o time de criação, estará logo disponível para venda no site da marca.

O encerramento deixou os presentes extasiados, com a sensação de que estamos mesmo diante de um novo começo de era, de gente –verdadeiramente- fina, elegante e sincera.