Entre as incertezas, há arte.

Texto: Mariana Quaresma
Fotos : Pedro Ivo Trasferetti / Fundação Bienal de São Paulo e Leo Eloy/ Estúdio Garagem/ Fundação Bienal de São Paulo. (retiradas do facebook da Bienal)  

Mariana Quaresma compartilha sua percepção sobre as delicadas nuances da 32ª Bienal de artes de São Paulo.

Axônios, neurônios e entre eles todas as sinapses buscam associar os signos à algo material vislumbrando chegar à infinita noção do que é ser.

A 32ª Bienal de São Paulo, com o tema “Incerteza Viva”, traz para o cenário visual uma estética que dialoga com os visitantes sobre os aspectos profundos da humanidade, existente em cada um, e sua interação com o meio.

O ser pode “ser” essa nuvem robusta que tangencia o imaginário de maneira totalmente imaterial.

O ser é o que há de primário, é esse núcleo despido de valores e padrões, é o acervo que se exibe a partir da linguagem que, de tão complexo, deixa de ser o eu para atravessar os limites palpáveis para simplesmente...ser.

O ser é o irrevogável que atravessa a construção mental por uma profusão do que está visceralmente inerente. E, então, se torna tudo isso que entre a mente e o pensamento, sublima.

Entrar na Bienal já é por si só impactante, seja pela arquitetura do local ou pelo cheiro do Ibirapuera interagindo com aquele espaço. De todo modo, o rompante visual gerado pelas formas e pelo cenário, de algum modo perturbador, vai além do belo apuro estético e se metamorfoseia em um espaço para maturação de questionamentos.

A experiência do contato com aquelas obras propõe uma reflexão e vai ao âmago dos “espectadores”, de todo modo a exposição não busca respostas definitivas, mas sim, abre o diálogo  de uma forma apuradamente artística sobre as dúvidas que permeiam a existência.

Por meio dos mais variados tipos de materiais, a exposição monta a sua instalação e exprime de cada artista a sua visão das incertezas da vida, entre os aparatos rústicos, e artifícios tecnológicos, a vida e seus pensamentos estão em pauta.