Pelas lentes de Salgado, um cenário quase dantesco

Texto por Rafaela Mattera

Foto Sebastião Salgado | Divulgação

Foto Sebastião Salgado | Divulgação

Nuvens negras de fumaça obstruíam o sol, tochas gigantes de fogo, homens - encobertos do petróleo que jorrava - adquiriam status de estátuas bronzificadas pelas condições daquele cenário quase dantesco. Assim era o deserto do Kuwait fotografado por Sebastião Salgado, em 1990.

Com o avanço das tropas americanas sobre o território kuwaitiano, em retirada, soldados iraquianos danificaram mais de 600 poços, deixando-os jorrando petróleo ou em chamas. Salgado, em cobertura fotojornalística para o The New York Times, foi até o local lançar seu olhar sobre um dos maiores desastres não naturais ocorridos em desertos.

Algumas dessas fotos estão presentes em seu livro ‘Trabalhadores’ (1993), no entanto a maioria delas permanecia apenas em seu portfólio. Ele, ao revê-las, reviveu aqueles momentos e decidiu reuni-las na exposição “Kuwait, um deserto em chamas”. As fotografias estão em exibição na Galeria Mario Cohen (São Paulo), a primeira Fine Art Photography Gallery da América Latina.