Uma conversa com a jurada Juliana Rocha durante o MIMPI

Entrevista e texto por Rafaela Mattera

Foto por Tiago Petrik

Foto por Tiago Petrik

Ontem demos nosso mergulho no primeiro dia do MIMPI. Entre os filmes de surf e skate, esbarramos com grandes nomes da cena, encontros inspiradores, que te fazem transbordar. Um desses momentos, foi a conversa que a ‘CAUSE MAGAZINE teve com a fotógrafa Juliana Rocha.

Juliana é um dos dois nomes femininos no júri do evento (além da Ju, Luiza Tozzi também compõe o corpo de avaliação). Hoje, editora de imagem do RIOetc e sócia-fundadora da agência de fotografia analógica O Álbum, os caminhos que a levaram para fotografia geram curiosidade: ela começou a fazer um curso de fotografia para se estimular criativamente, como um retiro, uma desintoxicação.

Já dentro da área da fotografia ela criou o “Copacabana Sentimental”, com fotos de celular, apenas para se desconectar das obrigações comerciais. Com o intuito de criar uma parodia do compartilhamento de coisas filosóficas, concebeu uma persona praia e passou a se dedicar todos os dias a isso. O que era uma brincadeira, acabou conectando pessoas que curtiam e compartilhavam o projeto, o que deu autoconfiança para a Ju, como ela conta para a ‘CAUSE.

No meio do percurso ela conheceu o Bruno Machado, com quem divide a agência O Álbum e ele, apaixonado por analógicas, revelou um filme antigo e esquecido na prateleira da Ju. Gostou do resultado e passaram a revelar um filme novo toda semana. Mais uma vez, algo que começou de forma espontânea, se tornou mais profissional: decidiram transformar o trabalho autoral em comercial e solidificar essa proposta, um contraponto ao instantâneo, a Slow Photography, que a Ju acredita ser parte de uma consciência coletiva.

“Fotografia é uma coisa mística, se abre para você, como um portal, ultrapassa o limite da imagem” e “Tenha uma câmera analógica na mão” são frases que a Ju dispara durante a entrevista, deixando transparecer sua paixão. Ela conta que o analógico acrescenta uma carga, um valor, um outro autor que não é só ela, é o acaso. Para ilustrar, ela cita o episódio de uma câmera, que por algum defeito, riscava os filmes, acrescentando um risco em todas as fotografias, um belo acaso, vulnerável e incontrolável.

Diante de percepções tão interessantes é inevitável não perguntar quem são suas referências: Francesca Woodman, fotógrafa que carrega uma carga emocional muito forte em suas fotografias e também para o olhar pessoal da Ju; Ruth Bernhard, que retrata o nu feminino de forma única; Edward Weston, fotógrafo muito atual, com seus corpos distorcidos que provocam confusões mentais. O assunto encaminha Ju para suas percepções pessoais sobre o corpo: é o nosso maior lugar de expressão, mas é também a nossa maior prisão e a parede de contato com o mundo; ela diz esse ser um assunto que quer dialogar mais em seu trabalho.

Na presença de um diálogo tão interessante ao redor de seu trabalho, falar sobre sua participação como jurada no MIMPI também é fundamental. Frequentadora de outras edições do evento, sempre teve simpatia pelo projeto, por abrir espaço para jovens de 17, 18 anos mostrarem seus trabalhos. Ela se sentiu honrada por avaliar o emocional, técnico, estético, histórias contadas, trilha sonora desses projetos de audiovisual. Ju diz ainda mais ao comentarmos sobre ser um nome feminino nesse cenário: “Me senti vitoriosa!” e você tem toda razão Ju.