MIMPI: O skate safari de Colin Read

Entrevista por Anthonio Andreazza e Rafaela Mattera
Texto por Rafaela Mattera

Um, dos muitos, pontos altos do segundo dia de MIMPI foi a premier final do filme ‘Spirit Quest’, do diretor Colin Read. A exibição, em meio à floresta que circunda o evento, acrescentou um tom de habitat natural à produção.

Colin é conhecido por ter um olhar criativo, inovador e seu novo projeto traduz isso e muito mais. Como o filme é dividido em duas partes de 40 minutos, durante o intervalo, a ‘CAUSE MAGAZINE conversou com ele sobre o longa.

Logo nas primeiras cenas notamos que aquele não seria um filme banal com personagens passeando em seus skates e uma música tocando ao fundo. Em meio as imagens dos skatistas, cenas e ilustrações de animais surgiam, criando um verdadeiro “skate safari”. Aos poucos essas misturas foram se tornando ainda mais interessantes e para obter esse efeito, Colin conta ter assistido horas e horas de documentários de animais. Sua ideia básica era combinar bichos e skatistas e se tornou algo muito mais profundo.

De cenas de animais sozinhos, entram imagens de ataque e posteriormente, de manadas, uma grande família, como os skatistas. Os animais mesclados com as imagens foram evoluindo, criando um acordo tácito com aqueles que assistiam e cada vez mais se envolviam com o filme de Colin.

Duas câmeras foram utilizadas nas filmagens, criando ramificações de diferentes dimensões e sugerindo a ideia da visão do camaleão, como disse Colin. Outro ponto interessante é o ângulo da câmera mais próxima do skatista, o que atribui mais emoção e selvageria para as cenas.

A trilha sonora do filme passa por diversos estilos musicais, no entanto todos possuem o mesmo fio condutor: um tom africano, que reflete o instinto dos animais. Ao perguntarmos sobre isso, Colin conta que ultimamente tem escutado muitos artistas africanos.

Ao final da segunda parte do filme, bem mais experimental que a anterior e com muito mais cenas de animais, nos encontramos novamente com Colin. Perguntamos se seu trabalho se aproxima mais de filmes tradicionais de skate ou de vídeo arte. Ele diz estar no meio do caminho, com a quantidade exata desses dois ingredientes para criar uma fórmula precisa e nós concordamos.