MIMPI: O olhar do fotógrafo Benjamin Debert

Texto por Rafaela Mattera

Foto por Benjamin Debert

Foto por Benjamin Debert

Durante o intervalo entre um filme e outro, as fotografias de Benjamin Debert expostas no MIMPI atraem facilmente os olhares de quem passa por ali. O fotógrafo e jornalista francês atua há 20 anos na área e é um dos maiores nomes da cena do skate contemporâneo europeu.

Em 1998, em Paris, criou a SuGaR Magazine, depois mudou-se para Londres para trabalhar com a KingPin e hoje dedica-se ao site Live Skateboard Media. Essas informações poderiam ser facilmente encontradas pela internet, no entanto, ontem, no MIMPI, durante um bate-bapo no espaço do Cine Corona, podemos mergulhar mais fundo e vivenciar momentos interessantíssimos com Benjamin.

Seus registros capturam mais do que manobras de skate, falam sobre uma cultura, comportamento, vivências, sensações, experiências de quem flana sobre seus skates. Ao relembrar alguns projetos, Benjamin cita o "Le Cercle", feito com o Mark Gonzales - uma das referências de Ben - em Paris, antes do sol nascer. Algumas dessas fotos estão expostas no MIMPI.

Ben fotografa no analógico e nossa curadora de imagens online e assistente de comunicação, Bruna Sussekind, apaixonada por câmeras analógicas, não se contém e pergunta o motivo dele continuar com o filme. Ben conta que para ele não é melhor ou pior, ele prefere a analógica porque é o histórico dele e é assim que ela construiu sua estética, além de ter um equipamento interessante de câmeras analógicas. É inevitável não perder alguma coisa com o filme, no entanto, com toda a bagagem que se acumula andando de skate, isso o ajuda a ter o olhar mais treinado para os momentos, não precisando, portanto, tirar várias fotos de forma compulsiva como se faz hoje em dia. O que importa é a experiência que ele está vivendo e que a foto seja inspiradora. 

Com um histórico grande relacionado com publicações impressas, obviamente a conversa tocou nesse ponto. Ben vê o futuro da revista da skate para aquelas que não são mensais, que são mais completas e demoram mais para serem feitas. Para ele a impressão é algo tangível, algo que se leva de uma casa para outra, algo para se guardar. Um dos nossos motes na 'CAUSE é #printisnotdead, logo, não poderíamos concordar mais com as palavras de Debert.