Os sapatos de Mari Giudicelli em terras brasileiras

Texto por Rafaela Mattera
Fotos por Bruna Sussekind (analógicas) e Andrew de Freitas

Ao percorrer as páginas da nossa Issue 2 – Morte e Vida, você se deparou com uma matéria de Mari Giudicelli. Ao abrir o Instagram de marcas como Eckhaus Latta, Maryam Nassir Zadeh, Mansur Gavriel e Jacquemus, certamente, você passou por uma foto dela. Ao navegar pela seção de sapatos do e-commerce Moda Operandi, você também encontrou o nome de Giudicelli por lá.

Há 5 anos ela trocou o Jardim Botânico pelo Brookling. No Rio, estudou Design Gráfico na PUC e lá em NY, além de modelar, cursou moda na Parsons, se especializou em Design de Acessórios no FIT, onde descobriu seu afeto por calçados. Criou sua marca de sapatos, minimalista, majoritariamente composta por loafers e mules com salto baixo de madeira. À venda internacionalmente, Giudicelli inaugurou este mês seu primeiro ponto de venda nacional, na Frey Kalioubi. Na ocasião, a ‘CAUSE MAGAZINE esteve na multimarca carioca para reencontrar a Mari e conferir de perto os modelos selecionados para sua estreia no mercado brasileiro.

No encontro, a questionamos sobre a lacuna entre a venda no exterior e no Brasil, uma vez que os sapatos são produzidos aqui e que, além disso, o cenário de design de sapatos carioca estava ávido por suas criações. Mari explica que apesar da fábrica ser aqui, a empresa é nos Estados Unidos. Burocracias, conversas com o Amran – fundador da Frey K. – e a vontade de fazer acontecer pairavam por sua cabeça. Uma confluência de fatores auxiliou para que o seu debut acontecesse: ela estava com viagem marcada para as terras tupiniquins - iria visitar a fábrica, em que são produzidos seus sapatos, e tiraria alguns dias de férias por aqui - e havia estoque para a parceria acontecer.

Sobre o mercado de sapatos, Mari enxerga que a maioria das marcas são orientadas por tendências e ela, por sua vez, se norteia pela sua escolha de materiais de alta qualidade (peles exóticas e delicadas) e por modelos ecléticos, atemporais, que se destaquem tanto num passeio diurno casual quanto para algo elegante com um vestido chic, como conta.

Mari nasceu em terras brasileira e, portanto, conta que sempre tomou a natureza tropical como referência, o que é possível de identificar nas cores e nome dos modelos de seus sapatos, que são de bairros cariocas – como Leblon e Gávea. Mari explica que quis fugir dos tradicionais nomes femininos para intitular peças. Pensou em números, mas ainda não eram criativos o suficiente. Foi então que optou pelos bairros que são únicos, transmitem brasilidade - o que soa bem no mercado externo – e fazem sentido para ela, é de onde ela vem. Para designar as localidades e os modelos, ela conta que fez associações pessoais com as ocasiões de cada lugar.

Com coleções novas lançadas a cada 3 meses, saber sobre seus próximos projetos é algo instigante. Mari diz que está preparando algo bacana com uma marca carioca, está ansiosa para conversar mais sobre a novidade. Além disso, pensa em expandir mais e quem sabe, desenvolver sapatos mais focados no clima brasileiro. Giudicelli está sempre com mil projetos na cabeça, assim como nós da 'CAUSE.