Uma conversa sobre o atual panorama do mercado de arte carioca

Texto e entrevista: Deborah Klabin

A primeira edição da feira ArtRio Carioca, que acontece entre os dias 09 e 11 de dezembro, no VillageMall, na Barra da Tijuca, desbrava o até então pouco visitado mercado da arte fora do circuito da zona sul carioca.
Em conversa com o galerista Conrado Mesquita, da galeria Ronie Mesquita, expositor do evento, 'CAUSE entende o atual panorama do mercado de arte carioca.

'CAUSE MAGAZINE: O que você como galerista espera dessa edição da ArtRio, em novo endereço?
Conrado MesquitaA ArtRio vem se firmando ano-a-ano como uma importante feira e semana de arte no roteiro de nosso país. Esta edição, em especial, busca desbravar um novo mercado, que ainda é silencioso, mas se lapidado de forma correta, tem muito potencial. As grandes galerias cariocas e colecionadores, tradicionalmente estão na zona sul, onde o mercado já se encontra um pouco saturado, e na Barra, além de espaços mais amplos, casas e apartamentos maiores, existe um alto potencial financeiro, que ainda não foi alcançado.
A galeria existe há mais de 20 anos, e tradicionalmente seu perfil é voltado ao colecionismo. Especialmente obras do período concreto, 1950, até às décadas de 1960 e 70.
Porém, para esta edição, priorizamos trabalhos de maior formato e uma linguagem mais comercial e de fácil aceitação. Apresentaremos trabalhos de Ubi BAVA, Tomie Othake, Carlos Vergara, Luiz Zerbini e outros.

'CAUSE: Como você descreveria o perfil desse consumidor novo de quem pretendem se aproximar.
CMDe fato existe o potencial financeiro, ainda não explorado e que, com auxílio de galerias sérias e novos grandes museus que vem surgindo na cidade, Museu do MAR e Museu do Amanhã, auxiliarão na inserção deste público no circuito da arte.

'CAUSEComo você interpreta o atual cenário do mercado de artes no Rio e no Brasil?
CM: A galeria prioriza trabalhos de artistas já falecidos, ou seja, com obra encerrada. Inevitavelmente o mercado sente com a crise que assola o país. Todavia, para trabalhos especiais, fora de série, raros, a liquidez se manteve igual. O mesmo não se pode falar dos quadros de médio porte, que estão passando por um processo de revisão de importância e valor.