Entrevista: Antonio Bokel

Antônio Bokel é um artista plástico carioca que está ganhando o Brasil e o mundo com seu trabalho, apresentado para o público tanto em galerias quanto através de intervenções urbanas. Suas obras já figuram entre as maiores coleções brasileiras, como as de Gilberto Chateaubriand. O artista também faz parte do acervo de dois importantes museus da cidade do Rio de Janeiro - o MAM (Museu de Arte Moderna) e o MAR (Museu de Arte do Rio). A ‘CAUSE conversou exclusivamente com ele, às vésperas de sua nova exposição, VER, que conta com a curadoria de Sharon Battat. 

Como e quando surgiu seu interesse pelas artes plásticas?

Quando era muito pequeno tive duas grandes influências: uma era minha tia Vanda Klabin, que me levava aos museus, galerias, cinemas e me mostrou toda uma vida cultural.  Tive também a influência da Vera, uma outra tia que cuidava de mim quando eu era pequeno. Ela me ensinou, na prática, a construir brinquedos com materiais reciclados e a pintar quadros, valorizar a natureza, criar histórias e desenhar.

Como você decidiu fazer desse o caminho para a sua vida?

Foi depois de uma viagem para Florença - na Itália - onde morei e quando comecei a expor meu trabalho numa galeria de lá. Na época eu tiinha 22 anos.

Na arte, o que é mais importante para criar uma grande obra - a técnica ou o amor?

Acho que os dois são muito importantes e funcionam bem juntos, mas o amor  sempre é mais importante. 

Como você definiria a palavra talento?

Conexão com o Universo.

Como funciona a sua cabeça, no momento de começar uma obra? Existe uma sequência racional ou seu processo é totalmente intuitivo?

Antes, meu processo era muito mais intuitivo. Agora, tento equilibrar mais os dois lados - coração e razão. Acho que amadureci no trabalho e na vida.

O que te inspira no dia a dia?

O pulsar da vida, as cores, os cheiros ,o acaso, as ruas, a natureza, as cidades , os animais , o céu, o mar, o sol e as pessoas... 

Na arte, o que corta seu coração e o que faz ele bater mais forte?

O que corta meu coração na arte é a arte racional demais, que não tem amor. Ou o artista que se deslumbra com fama e sucesso. O que faz ele bater mais forte é a verdade no trabalho.

Quem são os seus ídolos e referências? (Não apenas na pintura)

Nossa, tenho muitas referências. Tenho olhado muito a arte Naif, gosto do Véio e do Bob Marley.

Quando um obra está pronta, como é processo de separar-se dela?

Eu tiro da parede e começo outra, rapidinho me desapego e começo o interesse pela outra.

Aliás, como você conclui que uma obra está realmente pronta?

Quando me parece harmônica, tem uma matemática - uma harmonia oculta que fala comigo. Quando isso acontece, é como um orgasmo.

O que você sonha em realizar profissionalmente no futuro, ou mesmo no presente?

Prefiro me concentrar no presente, nas coisas que estão acontecendo agora, no momento em que estou respondendo a essas perguntas. Isso já é uma realização profissional, o futuro não me interessa.  

Como você enxerga o cenário das artes plásticas no Brasil, hoje? Como imagina que este cenário se desenhará, no futuro?

Acho que o cenário está sempre em movimento, cada vez mais artistas bons surgindo e a arte sendo valorizada como nunca. Acho que isso tende a crescer e não só em termos econômicos. Acho que a arte terá uma resignificação, terá outro valor e outro papel na sociedade. Um papel menos mercadológico.