Gloria Coelho aposta no futuro e traz para o SPFW uma coleção para as mulheres mentais.

Entrevista: Letícia Cazarré / Texto: Roberta Graham / Fotos: Vitor Vieira

Gloria Coelho, nome por trás de uma das marcas mais longevas do SPFW, diz que adora ser rebelde. Atrás da voz suave, não se deixe enganar, existe um olhar preciso, pensado e planejado a respeito da moda – um olhar que permeia todas as escolhas de suas coleções.

A estilista, que enxerga a chegada do futuro em todos os lugares, bancou a escolha de usar tecidos tecnológicos como base de seu trabalho, ainda que o alto custo da modernidade seja responsável por encarecer o seu produto.
 
“O tecido dos nossos maiôs, por exemplo, é duplo e deixa a mulher sem uma gordura – aperta para caramba. O material das nossas calças reduz a celulite e diminui a silhueta em 3%. As roupas que vão por baixo das nossas peças também deixam a pessoa mais durinha.”
 
A própria mulher imaginada por Glória para vestir a coleção é um vislumbre do futuro, um perfil que já existe no mundo mas que ainda é pouco conhecido no Brasil.
 
“É uma menina que já acontece no mundo. Ela é ligada à moda, interessada em design, é uma menina mental – ela não pensa só com o sexo. Ela pensa em arte, nos prazeres da vida.”
 
O desfile, cujo planejamento a estilista confessa adorar, trouxe em sua cartela de cores o vermelho, o preto, o off white e o azul misturados com o telha e o leão. O objetivo do uso dos tons vívidos foi fazer uma aproximação com a estética mais comercial.
 
Embora uma pegada sessentista esteja presente, ela admite que em 2016 é necessário incluir os símbolos do momento.
 
“Mesmo que você use algo 60, vai ter que incluir elementos das novas tribos que chegaram. Eu, por exemplo, sou totalmente 60. Gosto dos Beatles e dos Rolling Stones.”
 
As mudanças no calendário da moda no Brasil também não são suficientes para tirar a serenidade de sua voz. Glória acredita que as transformações serão graduais e que, com a velocidade que o mundo está se transformando, ninguém tem tempo de ficar parado.
 
“Este formato ainda não está feito por ninguém porque ainda não se sabe como fazer, não sou só eu. Estamos vivendo um mundo novo. Somos conectados com tudo que acontece e tudo acontece na internet. Até namorado já se arranja por internet.”

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