Roberto Burle Marx - Modernismo Brasileiro para americano ver

Texto: Roberta Graham / Imagens: Divulgação

O New York’s Jewish Museum lança exposição celebrando a obra do artista e paisagista brasileiro.

Existem diversas maneiras de se fazer uma revolução, de expressar o inconformismo com determinadas situações sociais. Algumas pessoas entram para a política, outras fazem parte de movimentos radicais, algumas utilizam a arte para se expressar e Roberto Burle Marx desenhou jardins. O artista, multi facetado e multi talentoso, ficou conhecido por seu extraordinário trabalho com plantas nativas do Brasil mas poucos sabem do objetivo político por trás desta escolha. 

O Brasil, país que até hoje luta para de soltar das amarras coloniais, vivia uma situação ainda pior na primeira metade do século XX. Nesta época, o bom era o que vinha de fora e o que existia nas terras tropicais não tinha muito - ou nenhum - valor. Os jardins da época eram sempre baseados no modelo francês, inclusive na escolha das plantas. As espécies nativas eram consideradas “pouco civilizadas” e, portanto, não podiam fazer parte de um projeto sério de paisagismo. Burle Marx, que se apaixonou pela flora brasileira quando descobriu as espécies da Amazônia, resolveu utilizá-las como um ato de contra cultura e, sem planejar, tornou-se um dos maiores nomes das artes no Brasil. 

Agora, o New York’s Jewish Museum lança a exposição “Roberto Burle Marx - Brazilian Modernist”, apresentando seu trabalho para um público estrangeiro que talvez ainda não o conheça. Dentro do guarda chuva da latinidade, trabalhos como o dele são classificados como “Modernismo Tropical”, um desígnio que é parcialmente verdadeiro, visto que a modernidade não obedece fronteiras geográficas. Porém, é sempre bom constatar que mesmo com o atraso de algumas décadas, a maneira brasileira de protestar é sempre sucesso no mundo “civilizado”. A exposição estreou no dia 6 de maio e vai até 18 de setembro de 2016.