A poesia do infinito.

Texto: Roberta Graham

 
 

Existem personagens da intelectualidade brasileira que tornam-se celebridades apenas em seus nichos particulares. Talvez este seja o reflexo de um sistema educacional que, apenas recentemente, começou a dar o devido valor à produção cultural nacional. O desembarque de novos museus como o MAR - Museu de Arte do Rio - em solo carioca, começa um lento processo de mudança desta realidade. Em cartaz há alguns meses, a exposição “Poema Infinito” de Wlademir Dias-Pino conta a trajetória e exibe para o público a obra de um grande pensador e poeta. Nascido no Rio de Janeiro, mudou-se para o Mato Grosso ainda criança e retornou à antiga capital da República como um dos precursores da poesia concreta brasileira. 

Wlademir, que confessa ter mais interessa na estrutura de composição dos poemas do que no resultado final de seus versos, participou junto a outros autores do movimento poema/processo, de 1967 à 1972. A exposição em cartaz no MAR aborda quatro obras em particular:  O dia da cidade, Ave, Solida e Numéricos. O visitante vai encontrar ainda pedaços de um trabalho em desenvolvimento, no qual Dias-Pino vem trabalhando ao longo dos últimos 20 anos, a Enciclopédia Visual Brasileira. Composta de nada menos que 1001 volumes, seu objetivo é contar, através de alegorias visuais, a história e desenvolvimento da imagem no mundo.