O sertão visto das estrelas: Guto Carvalho Neto reinventa suas origens no Rio Moda Rio.

Entrevista: Leticia Cazarré / Texto: Roberta Graham / Fotos: Lou Gomes

Um ser extraterrestre é catapultado para o planeta Terra e acorda encarnado num corpo estranho, num planeta novo, no meio do sertão nordestino. Esta é a história por trás do desfile de Guto Carvalho Neto, que fez sua estréia no Rio Moda Rio na noite de ontem. Antes do desfile, um curta produzido pelo próprio Guto deu o tom da coleção que viria a seguir. 

A apresentação é aberta com uma modelo careca e pelada, deitada no chão que representa o sertão. A partir daí, ela observa as mulheres daquela região e, encontrando um varal com camisas quarando ao sol, escolhe e puxa uma para si - criando seu primeiro traje terreno. Este é o look de abertura do desfile, que trouxe uma moda conceitual e inteligente, com recortes assimétricos e processos inventados pelo próprio estilista, que nunca terceiriza sua produção. 

A beleza trouxe cabelos dramáticos, enrolados em torno do pescoço. A maquiagem, seguindo uma linha futurista, deu vida aos mais de 30 looks que foram apresentados. O branco marcou forte presença - representando as noivas e os anjos - enquanto o preto contou a história de um velório sertanejo.

Guto faz uma moda corajosa e interessante, muito inspirada nas referências de sua própria terra. Veste uma mulher que tem a segurança de escolher peças que não marcam as formas do corpo. Apesar disso, o estilista trouxe modelos estilo sereia, mais justos ao corpo, pela primeira vez. Assim como o extraterrestre que foi o ponto de partida para o desenvolvimento da coleção, as consumidoras devem imergir num processo sensorial para carregar de forma autoral um trabalho tão bem executado de moda conceito.