Fotógrafa Hannah Bailey captura a alma do skate.

Texto: Roberta Graham

Há mais ou menos quinze anos, a fotografia digital começou a invadir o mercado. Prática e veloz, a câmera com cartão de memória podia ser descarregada diretamente no computador, poupando tempo e agregando facilidade no tratamento das imagens. Foi irresistível, todos nos rendemos ao novo formato. Quase todos, por algum tempo. 

Hoje, passada febre inicial, começamos a perceber uma intrínseca diferença entre os dois formatos de captação de imagem. Os antigos acreditavam que a fotografia roubava suas almas e, caso isso tenha algum fundo de verdade, trata-se do processo analógico. Ali, existe a expressão de um espírito que simplesmente não pode ser capturado pelo digital. Filtros e tratamentos mil não são suficientes, não é o real deal. 

Uma das maiores entusiastas do retorno ao filme, a fotógrafa Hannah Bailey desenvolveu um projeto que buscou fotografar as mulheres skatistas ao redor do mundo. O objetivo era capturar seus espíritos livres, ou apenas capturar seus espíritos. Algumas imagens estão expostas na Lomography’s Soho, uma mistura de galeria de arte e loja, em Nova York. O trabalho,  é inteiramente focado no momento presente, sem cortes ou edições, o que exige precisão técnica para a captura dos movimentos. Longe do digital, os cliques são limitados e os resultados, imprevisíveis. Aqui mora sua beleza, assim é possível capturar a alma.