Luz do Sol - 75 anos de Ney Matogrosso

Por Roberta Graham

A primeira estrela que subiu no céu, na manhã do dia 1o de agosto de 1941, foi o sol. Assim, quando Ney Matogrosso abriu os olhos e os pulmões pela primeira vez, foi marcado pelo carisma dos leoninos com ascendente em Leão. Literalmente, nascido para brilhar. 

Sua trajetória profissional não foi nada menos do que estrelar, confirmando todas as previsões. O artista, que é capa da terceira edição da ‘CAUSE MAGAZINE, nos revelou seu ponto de vista sobre o amor, numa franca e divertida entrevista. Confira um trecho deste bate papo e não deixe de adquirir seu exemplar para saber o resto desta história, além de conferir as fotos e o fashion film do nosso editorial. 

Editorial de Capa 'CAUSE MAGAZINE ISSUE #3
Fotografia: Pedro Loreto
Direção Criativa e Styling: Leticia Cazarré
Beleza: Mary Saavedra
Ass. Produção de Moda: Bruna Sussekind
Ass. Fotografia: Marcio Marcolino
Cenografia: Eric Fuly
Produção Executiva: Nathy Kiedis e Valesca Reyes

Fashion Film 3 edição Cause Magazine por Juliana Helcer

Você acredita em casamento, ou na institucionalização do amor?

Não. Não acredito porque eu não acho que um papel tenha o poder de definir uma relação. Não é uma decisão oficial. Eu já experimentei o casamento e não gostei. Claro, eu continuava amando a pessoa mas não gostava do sistema. Acontecia o seguinte problema - pode ser que hoje em dia eu nem seja mais assim - mas eu achava que precisava estar disponível para a outra pessoa 24 horas por dia. Então, se eu estava lendo e a pessoa falava comigo, eu parava de ler e respondia. Quando a pessoa falava de novo, eu novamente parava de ler e respondia. Até uma hora que eu parava de ler, mas não ficava nada feliz. A imposição me incomoda muito. Sabe o que eu acho super civilizado? Cada um morar no seu apartamento, no mesmo prédio ou na mesma vizinhança. 

As pessoas, quando se casam, não respeitam a privacidade do outro e acho que ela precisa ser mantida. A única vez que eu vivi esta experiência de casamento, foram sete anos juntos. Depois ele teve um problema comigo e foi morar do outro lado da rua, mas tudo continuou igual. Aliás, muito melhor. Eu não ia na casa dele sem avisar, eu não tinha a chave da casa dele e nem ele da minha. A gente se via quando queria e a gente queria sempre. Existia um respeito pela privacidade. Eu não tinha nenhum interesse em ir lá dar flagrantes, as pessoas em geral ficam nessa loucura. Queria apenas que tudo ficasse bem entre nós, ele na vida dele e eu na minha. Funcionou até ele adoecer - então o levei para a minha casa e cuidei dele até o final. 

Você se ama?

Sim, eu tenho respeito por mim, respeito pelo meu corpo. Acho que se você não gosta de você mesmo, não pode gostar do outro. Eu não sei se eu sempre me amei ou se descobri isso com o passar do tempo. Você passa por um amor, passa por outro, aí chega um momento que você pensa.... 

Deixa eu explicar isso melhor. Certa vez, eu estava sofrendo por amor. Eu não sou maconheiro, sabe? Já fumei muito mas não sou maconheiro. Nesse dia, pensei: “Vou fumar um e resolver essa questão”. Tem que ter coragem para fumar e encarar um problema que nos aflige. Eu estava lá, na intenção de solucionar aquela história e pensei: “Sofrendo? Por alguém? Ninguém merece o sofrimento de ninguém e ninguém merece sofrer por outra pessoa. Tá tudo errado!”. Acho que o sofrimento é um processo auto referente que não pode acontecer. Quando se ama alguém, cabe a você amar aquela pessoa. Se o amor não é correspondido - sai fora filhinho! - não vai ficar penando, gemendo nesse vale de lágrimas. Ninguém merece o seu sofrimento, cheguei à essa conclusão.