Vôo livre - Uma homenagem à eterna Elke Maravilha

Por José Camarano

Elke sempre foi uma das pessoas que mais me influenciaram na vida.

Quando pequeno, ficava hipnotizado por ela na TV, falando "criança"...

Pela vida afora, tive o prazer de trabalhar com ela algumas vezes. Sua retórica doce e gentil era cativante, muito mais pessoalmente do que pela telinha.

Sua genialidade era conquistadora. Você se sentia mais sábio depois de algumas horas ouvindo seus casos. Isso era um fato, pois inteligência pega!

Elke era uma contadora de histórias. Te embalava como ninguém. Fazia análises mirabolantes, dando a volta ao mundo pra te mostrar o óbvio. E o não óbvio.

Transgressora, foi defensora de causas importantes, lutou não só pelas minorias mas também pelos invisíveis. 

Ela ajudou a melhorar o mundo, da sua forma. Sem imposições ou raiva, mas pela sua doçura e eloquência. Sua arma sempre foi sua forte opinião sobre tudo, mas longe, muito longe da soberba. Forte, generosa e gentil. Combinação rara.

Nunca se encaixou em padrão algum. Ela definitivamente não era desse planeta. 

Ela veio do futuro. 

Veio nos ensinar que uma grande mudança estava por vir e deveríamos nos preparar.

Representante nata da Nova Era. Pisciana do dia 22 de fevereiro, nasceu na Rússia, cresceu em Minas Gerais e viveu no Rio de Janeiro. Hoje, aos 71 anos, deixou o planeta Terra... 

Muito mais que um ícone da moda, um ícone de estilo, revolucionou as passarelas nos anos 70 e fez história com suas montações que nunca, até a sua morte, deixou de lado.

Visitei algumas vezes seu icônico apartamento, no Leme. Sua casa era um culto à todas as religiões (ela tinha um altar com todos os santos e entidades) e uma ode à sua maior crença: ela mesma. 

Ela tinha - como ninguém -  muito orgulho de sua história, trajetória e conquistas.  Um acervo de deixar qualquer queixo caído.   

Num mundo cada vez mais careta como o de hoje, gritando pra sobreviver à mudança, ter uma Elke reinando é muito mais que um presente. Para mim ela não se foi.

Ela torna mais forte hoje o seu legado. 

Fincando aqui uma bandeira eterna sobre tudo o que representou, pensou e nos influenciou. 

Ficam eternizados os seus ideais e a esperança de que as mentes se abram!

Da mesma galáxia que Bowie, ela foi mais mulher que qualquer mulher, mais gay que qualquer gay, mais drag que qualquer drag e sim: muito mais homem que muito homem. Falava o que pensava, sem medo ou papas na língua... Gargalhava com vontade! Bebia e fumava... Nunca tentou ser politicamente correta, mas sempre foi. Do ponto de vista da lei do amor, Elke era mais que perfeita. Íntegra, honesta e dona de uma positividade exorbitante. 

Musa interplanetária, espalhou alegria e nos fez pensar.

Obrigado Elke pelo maior presente de todos: o legado de seus ensinamentos.

Sem dúvida alguma, hoje, temos mais uma estrela no céu.