Antonio Berardi se inspira no cantor Prince para revisitar sua própria obra

Texto e fotos: Valeria Bravo Maynard

Antonio Berardi se inspira no cantor Prince para revisitar sua própria obra e lança coleção Primavera/Verão 2017 em tons cinza e violeta.

A coleção Primavera/Verão 2017 de Antonio Berardi, apresentada nesta segunda-feira (19/9) na London Fashion Week, foi pautada pela dualidade: masculino versus feminino. Formas estruturadas, rígidas, fazendo contraponto a fluidez e suavidade.

Brincar com os opostos parece ser algo natural para este britânico de nascimento, filho de pais italianos da Sicília. Como poucos, Berardi sabe combinar o corte impecável da alfaiataria inglesa, na melhor tradição da Savile Row, com as silhuetas insinuantes e provocativas que representam a sensualidade natural e o joie de vivre do povo do Mediterrâneo.

Para esta coleção, a paleta de cores reuniu mesclas de cinza claro e escuro, variações de violeta, entre outras cores em tonalidades mais esmaecidas. O make “nada” contrastou com a exuberância dos sapatos Jimmy Choo - destaque para as botas de cano alto de veludo com aplicação de pedrarias.

Em entrevista à ‘CAUSE no backstage do desfile, o estilista detalhou o processo de criação para esta coleção: “É sobre pegar algo que já criamos e ter um novo olhar sobre isso. Então, eu realmente gosto de brincar com o que já fizemos e gosto, sobretudo, de ver as peças vestidas e em movimento.  A coleção realmente foi minha revisão, meu novo olhar sobre o nosso trabalho. Algo como um artista que olha sua tela e pensa ‘acho que preciso mudar um pouco, não estou particularmente feliz com o resultado até aqui’. Nada deveria ser descartado, nada deveria ser considerado completamente acabado. Essa é a minha visão.”

A inspiração para esse permanente estado de experimentação e revisitação ao seu trabalho, Berardi encontrou no mundo musical, mais especificamente no método adotado pelo cantor e compositor americano Prince – que morreu em abril deste ano.

“Ele era meu ídolo por causa da sua atitude em relação à música. Ele fazia registros de suas composições, mesmo que ele talvez nunca mais voltasse a ouvi-las novamente. Mas, um dia, provavelmente 10 anos mais tarde, ele poderia pinçar uma batida de uma dessas músicas e encaixar isso num outro trabalho completamente diferente. Nada era descartado, porque ele sempre poderia usar em algo novo. Eu gosto dessa ideia e mesmo na moda não podemos ter uma visão limitada das coisas, precisamos estar abertos para rever o que já fizemos. É sobre criar um clássico, algo duradouro”, explicou o estilista.

Ao ser questionado sobre quem seria a mulher Antonio Berardi, definiu: “Ela é forte, sempre foi forte, com uma força levemente masculina. É segura, está confortável com o lugar que ocupa no mundo. Ela é sexy, gosta do flerte. É suave, mas sabe ser, ao mesmo tempo, dura, se for preciso.”

Esta seria a descrição também da mulher brasileira? “Sim, sem dúvida, mas descreve também a mulher siciliana. Acho que as duas culturas compartilham muitas similaridades”.