Arte contemporânea lusitana e seus nomes femininos.

Por Rafaela Mattera

Em meio ao Parque Ibirapuera, o Museu Afro Brasil redesenha as fronteiras interculturais entre Portugal, África e Brasil – assim como, extrapolando as barreiras da arte, fez Ronaldo Fraga em seu último desfile na SPFW. 

A nova exposição do museu, ‘Portugal Portugueses’, expõe as obras de Maria Helena Vieira da Silva, Ana Vieira, Helena Almeida, Paula Rego e Lourdes Castro, artistas lusitanas modernistas e contemporâneas que evidenciaram este nicho da arte portuguesa. Elas significam para o cenário artístico de Portugal o que Anita Malfati, Tarsila do Amaral e Zina Aita representam para o modernismo brasileiro.

É a partir desses nomes femininos e poderosos que a maior mostra de arte contemporânea lusitana se desenha, abrindo espaço para as diferentes linguagens e estratégias dos nomes consagrados, e de outros novos talentos, que escreveram o nome da arte portuguesa no cenário internacional.

Na exibição, com curadoria de Emanoel Araújo, pinturas, esculturas, fotografias e instalações compõem o panorama. Entre as obras, está a pintura clara, límpida e, por vezes geométrica, de Maria Helena Vieira da Silva, como bem definiu Emanoel. Também faz parte da mostra a arte de Joana Vasconcelos, um grande nome da atual cena portuguesa - que busca com seu trabalho uma visão crítica da sociedade - sobretudo dos aspectos da coletividade que dizem respeito ao estatuto da mulher, diferenciação classista ou identidade nacional. Ela faz isso explorando as dualidades entre artesanal/industrial, privado/público, tradição/modernidade e cultura popular/cultura erudita.

A exposição se inicia no dia 8 de setembro e, em meio aos múltiplos recortes artísticos das artes visuais contemporâneas, é um convite para realçar não só a arte portuguesa, mas a presença feminina neste movimento.