Caminhos da moda.

Por Roberta Graham
Fotos: Renato Galvão (Obvious Agency)

A moda - indústria bilionária que estende seus braços para diversos segmentos - tem a missão de vestir um mundo cada vez maior e que se movimenta cada vez mais rápido. A tarefa não é fácil mas uma tendência apareceu com força nos últimos 15 anos para dar conta da demanda por novidades frequentes e preços sempre mais baixos: o fast fashion. As empresas que miraram neste filão tornaram-se gigantes do mercado mas tiveram o verde de seus milhões manchado por denúncias de trabalho escravo e processos por direitos autorais. A pergunta que ninguém soube responder foi: é possível criar uma moda rápida de maneira ética e sustentável? Existe evolução para este modelo?

A resposta veio junto com os avanços tecnológicos que permitiram que os pontos de venda físicos não fossem mais essenciais para o sucesso de uma marca. Cortando esse custo da equação, empresas de pequeno porte começaram a se aventurar num nicho que, outrora, espantava a concorrência por conta do enorme capital necessário para fazer rodar esta custosa engrenagem. Embora este movimento, que podemos chamar de fast-fashion digital, já exista há pelo menos dez anos fora do Brasil, com o sucesso de plataformas como a ASOS, podemos afirmar que a tendência é recente por aqui. 

A Loja Três é possivelmente quem mais se encaixa neste novo modelo, lançando uma média de 40 coleções ao ano, praticamente uma por semana. Consideram-se uma marca de fast-fashion porque conseguem manter suas araras sempre abastecidas com novidades, sem abrir mão do preço acessível. 

“Das quatro coleções que lançamos num mês, sempre fazemos uma em parceria com um colaborador. Em geral, buscamos figuras inseridas no mundo da moda para participar.” diz Fernanda Bion, uma das sócias da marca. 

O foco das coleções não é vender um estilo de vida, mas abranger o maior número possível de mulheres, dando a elas as ferramentas para que possam desenvolver seu próprio olhar em cima das peças. Os planos para os próximos cinco anos incluem expandir ainda mais a gama de clientes, alcançando as mulheres de fora do eixo Rio-São Paulo. 

A SRI Clothing também tem a internet como a sua maior plataforma de vendas mas trabalha com duas coleções principais e duas cápsulas ao ano. A marca acredita que trabalhar com o fast-fashion não a impede de apresentar produtos artesanais e customizados para as suas clientes. Até mesmo a modelagem de algumas peças é pensada de maneira mais clássica, dando a elas sobrevida para além da próxima estação. 

Uma das sócias da SRI, Ana Carolina Agra, diz que sua pesquisa para as coleções acontece de forma similar à osmose, absorvendo as novidades trazidas pelo próprio ambiente. É um processo que dispensa o excesso de análise. 

Ana Cristina aponta para uma questão que ainda é inexplorada pelo mercado da moda em geral, mas que pode tornar-se forte nos próximos anos: a demanda do consumidor por uma fusão entre a compra rápida do fast-fashion e o valor afetivo oferecido pelos produtos artesanais. Unir estes dois universos, aparentemente discrepantes, será uma tarefa para a qual a SRI promete estar preparada. Seus planos para o futuro incluem solidificar seus pontos de venda físicos e expandir ainda mais sua presença no poderoso universo on-line.