Divididos por poucos passos e unidos pela boa música

Texto por Rafaela Mattera

Divididos por poucos passos, está a Sala Cecília Meirelles e o Circo Voador. Há décadas são cenário e sinônimo de música de qualidade. Ano passado, aconteceram encontros célebres por lá, como a apresentação de Egberto Gismonti e Camerata Romeu (orquestra cubana composta apenas por mulheres e regida pela maestrina Zenaida Romeu), na Sala, e Hermeto Pascoal com Hamilton de Holanda, no Circo. Apenas para citar algumas das muitas apresentações que aconteceram sobre aqueles palcos.

Logo em um dos primeiros finais de semana do ano, como uma enunciação tácita do ditado “começar com o pé direito” para a música brasileira, neste sábado (14/01), irá acontecer 2 grandes apresentações: Yamandú Costa, na Sala (às 20h) e Metá Metá, no Circo (às 22h).

Yamandú fascina com seu violão de 7 cordas. Desde a platéia especializada, com ouvido treinado, ao grande público; seja em apresentação solo ou com outras formações, como a Orquestra Nacional da França ou a Orquestra de Paris. Sua companhia para a apresentação deste sábado será a Camerata Jovem da Ação Social pela Música, composta por 14 jovens de diferentes comunidades cariocas, que há 5 anos iniciaram seu contato com a música e hoje já se apresentam em espaços renomados da música clássica, como Theatro Municipal e CCBB. O convite de Yamandú reforça o talento do grupo.

O trio Metá Metá sobe ao palco do Circo mais uma vez para apresentar sua mistura interessante de samba, com vertentes complexas da música africana, jazz e rock. A cumplicidade com a plateia que sussurra e balança com suas músicas, prova que o espírito mutante da Tropicália se mantém vivo. Já em seu terceiro disco – METÁ METÁ (2011), METAL METAL (2012) e MM3 (2016) – o vocal quente de Juçara Marçal, os sons do sax de Thiago França, que adentram as músicas como faíscas e a guitarra de Kiko, que tocou no mais recente álbum de Elza Soares, marcam um papel simbólico na cena da música experimental.