Empoderamento por trás do choker

Texto por João Rodolfo

Foto: Harm

Foto: Harm

No decorrer desses dois últimos anos nossa sociedade tem entrado de cara em debates e estudos de gênero, empoderamento, problemas raciais, feminismo e tudo que antes era guardado dentro de uma caixa pelas forças conservadora. Não podemos negar que o acesso à informação que a geração atual tem disponível ajuda a desconstruir paradigmas e moldar novas maneiras de analisarmos e convivermos para assim nos adaptarmos a cultura contemporânea. Apesar de tais avanços nos movimentos sobre esses assuntos, infelizmente, ainda vivemos em um país conservador, onde entre outras estatísticas assustadoras, cerca 96% dos jovens afirma viver em uma sociedade machista.

O mercado da moda foi um dos precursores desse movimento e trouxe à tona muitos debates, dando visibilidade a quem tinha sua voz calada (Lea T., Andrej Pejic, Elliott Sailors, Hari Nef e...). A nova adaptação do mercado também se deve aos jovens designers, que tem sido os grandes mensageiros dessas ideias inovadoras, criando propostas menos restritas quanto a questões de gênero e se tornando, possivelmente, as grandes empresas relevantes do futuro.

Uma das peças que tem quebrado a exclusividade de gênero é o choker, podendo ser comparado à Lindsay Lohan dos acessórios em questão de polêmicas, e é aí que chegamos ao maravilhoso e atual conceito DNA da peça: o empoderamento.

Na história a presença do adorno data desde o antigo Egito, quando era combinado com outros colares e o representava a mesma coisa para todas civilizações antigas: proteção e poder a quem os portava. Mais adiante no século XIX, dependendo da maneira que ele era usado, servia como identificação de prostitutas e lésbicas, podendo também demonstrar a classe social das mulheres de acordo com o material utilizado em sua confecção. Com o passar do tempo foi ganhando diferentes significados, chegando então na galera punk, clubber e gótica dos anos 80 e 90 quando foi popularizado com os tattoo chokers.

A atual percepção que as pessoas têm sobre o acessório e os tabus que o envolvem na distinção de gênero que ele carrega é o que empodera o consumidor. Homens e mulheres definindo suas personalidades com o próprio estilo e sem se preocuparem com as reações dos demais, se qualificando como pessoas e escolhendo maneira com a qual elas querem ser vistas.

Foto: Helm Silva para Harm

Foto: Helm Silva para Harm