O FUTURO DO DESIGN MUNDIAL APRESENTADO NA GLOBAL GRAD SHOW

Curador da mostra fez convite especial ao Brasil

Por Valéria Bravo Maynard 

Fotos
Valéria Bravo Maynard
Divulgação

 

O que anda na cabeça de jovens criativos de diferentes partes do planeta para enfrentar os maiores desafios dos tempos modernos, como garantir maior acesso à educação, alimentação e moradia? Ou ainda como estimular a troca de ideias e a construção da noção de comunidade? Como reduzir desperdícios e gerar fontes limpas de energia? Algumas das provocações feitas pelo Global Grad Show, parte integrante do Dubai Design Week, através dos 200 projetos de 92 universidades de 43 países, distribuídos em três seções principais: Capacitar, Conectar e Sustentar, em tradução livre. Com o dobro de participantes nesta edição, em relação ao ano passado, os protótipos variavam em forma e funcionalidade, alguns eram de simples conceito e aplicação, outros tecnologicamente complexos. Os temas englobaram desde a expansão das habilidades humanas, passando pela conexão entre pessoas e lugares, e entre o mundo real e virtual, às abordagens inovadoras para aproveitamento máximo e sustentável de nossos limitados recursos naturais. 

Design sem fronteiras - Lançado em 2015, o Global Grad Show já é tido como o maior e mais diversificado encontro mundial de estudantes de design. Categorizados pelas três seções distintas, em vez de divisões geográficas ou por áreas de atuação de suas universidades de origem, os graduandos apresentaram suas ideias, que poderão mudar a nossa forma de viver e de ver o mundo. 

“O aspecto social é uma parte importante do evento. Quando alinhamos juntos designers de diferentes partes do mundo, tratando de um problema parecido com abordagens diferentes, ampliamos a visão desse problema. Possibilitamos também o diálogo e a colaboração entre eles” – explicou Brendan McGetrick, diretor e curador da mostra, em entrevista exclusiva à ‘CAUSE. 

O projeto Mikos+, assinado pelas designers Ewa Dulcet e Martyna Šwierczyhfiska, da School of Form, Polônia, abocanhou o primeiro Progress Prize. Trata-se de uma linha de joias, que une beleza estética e fisioterapia. Focada no punho, articulação frequentemente afetada por problemas causados por movimentos repetitivos- como o uso excessivo de computadores-, a joia é uma alternativa aos materiais convencionais de imobilização. 

Já o Brasil foi representado por dois projetos, Noah, de Paula Agra de Figueiredo, e Golzinho, assinado por Artur Porto, ambos da Pontifícia Universidade Católica (PUC), do Rio de Janeiro. Noah é um sistema adaptável de móveis infantis sem o uso de parafusos, cola ou pregos. É facilmente montado e remontado, de acordo com o crescimento e as necessidades da criança. Já Golzinho, como o nome entrega, são balizas de gol portáteis para a prática de futebol de rua. Sem a necessidade de fixação no solo, tem dois tanques laterais, que podem conter água ou areia, para garantir estabilidade em superfícies duras. As hastes são desmontáveis e basta descartar o conteúdo dos tanques para facilitar o transporte quando o jogo acaba. O protótipo de Porto atraiu muita atenção, garantindo a ele o People’s Choice Awards, que ficou entre os top 5 favoritos do público. 

McGetrick acrescentou que Dubai por ser uma cidade tão jovem tem muito potencial a explorar, além de estar comprometida com “metas ambiciosas evidentes”. O americano, jornalista por formação, afirmou que encontrou, tanto nos organismos governamentais quanto na direção do Design Week e D3, apoio fundamental para concretizar os projetos com total liberdade. A única recomendação que recebeu foi “faça melhor e maior”. 

Falando nisso, atenção cursos e faculdades de design brasileiros: McGetrick fez um convite especial para que mais instituições, de norte a sul do país, enviem seus projetos para a mostra de 2018. As inscrições já estão abertas e a seleção final acontece em julho. Outras informações e contatos através do site globalgradshow.com e e-mail submissions@globalgradshow.com .