O VERDADEIRO OURO DA MATA ATLÂNTICA CARIOCA

por Leticia Cazarré

fotos Juliano Cazarré

 A propósito de nossa edição NATURE, lançada no último dia 11 no Museu de Arte Moderna de São Paulo, a ‘CAUSE continua desdobrando o tema e extrapolando o impresso, trazendo também para o online assuntos, ideias e experiências que nos fazem refletir sobre nossa relação com a natureza.

Fomos até o município de Silva Jardim, no interior do estado do Rio de Janeiro, conhecer um dos projetos mais bem-sucedidos do mundo quando o assunto é preservação de espécies ameaçadas de extinção.

Trata-se do projeto que ajudou a salvar um dos animais mais emblemáticos da fauna brasileira — tanto que sua imagem ilustra nossas cédulas de 20 Reais — o Mico-Leão-Dourado (Leontopithecus rosalia), espécie que só existe no estado do Rio de Janeiro (por isso é chamada de "endêmica").

Os micos-leões-dourados sofreram com a devastação florestal da Mata Atlântica, que dizimou seu hábitat natural, e também com o tráfico de animais silvestres. Centenas de animais foram contrabandeados durante décadas para países do mundo inteiro, o que levou a uma redução drástica de suas populações até que chegaram a existir apenas 200 animais livres na natureza.

Foi então que, no início dos anos 1960, o primatologista Adelmar F. Coimbra Filho estabeleceu as bases para um programa de salvamento do mico-leão-dourado. O Programa de Conservação do Mico-Leão-Dourado começou na década de 1970 por meio da cooperação entre o Instituto Smithsonian /Zoológico Nacional de Washington, o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF, atual Ibama) e a Fundação Estadual de Engenharia do Meio Ambiente (atualmente INEA), através do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro (CPRJ).

O compromisso entre estas instituições transformou-se num amplo esforço para preservar, proteger e estudar o mico-leão-dourado e seu habitat. Desde 1992, esse trabalho é liderado pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) e conta com uma rede de parceiros.

Com muito empenho da AMLD e de cientistas, educadores, gestores públicos, conservacionistas e as comunidades locais é que há hoje 3.200 micos-leões-dourados vivendo livremente. Porém, ainda há muito que ser feito, porque os micos precisam de uma área maior de floresta. Além da restauração florestal, com plantio de mudas nativas da Mata Atlântica e corredores florestais, a AMLD desenvolve programas de educação ambiental dentro e fora do Brasil.

O mais legal é que qualquer pessoa pode visitar a AMLD e conhecer de perto os micos-leões em seu hábitat natural: as florestas do Rio de Janeiro. 

Os municípios de Silva Jardim e Casimiro de Abreu ficam a apenas 1,5h de carro do Rio de Janeiro, onde a Associação Mico-Leão-Dourado recebe grupos de ecoturistas interessados em caminhar pela Mata Atlântica e ver esse lindíssimo animal de pertinho.

A visita inclui:

▪ Avistamento na floresta

▪ Visita à sede da Associação Mico-Leão-Dourado na Reserva Biológica de Poço das Antas (a primeira Reserva Biológica do país)

▪ Visita à exposição no Centro Educativo Adelmar Coimbra Filho

▪ Palestra sobre a espécie e o trabalho da AMLD

▪ Compras na Micolojinha

▪ E termina com a trilha interpretativa do Boi Branco (optativa)

Atenção: visitas apenas com reservas prévias

▪ O tempo médio de visita completa é de 4 horas

▪ Guias especializados

▪ Caminhada de baixo grau de dificuldade

▪ Opção de almoço e atividades extras em fazendas da região

▪ Oportunidades especiais para grupos podem incluir plantio de mudas nativas de Mata Atlântica, visita à agricultores familiares, viveiros e agrofloresta

 

Aproveite e conheça também a região de ocorrência do Mico-Leão-Dourado e suas diversas opções de lazer e turismo que incluem: cachoeiras, rafting, trilhas, cavalgadas e muito mais.

Programa de Ecoturismo e Conservação "Na Trilha do Mico-Leão-Dourado"  

Site: ecoturismo@micoleao.org.br 

Skype: ecoturismo_amld.