XII Art Dubai

A 12º edição do Art Dubai aposta na diversidade 

Inauguração de vários museus e centros culturais na região têm ajudado a atrair galerias do mundo todo

Texto: Valeria Bravo Maynard

Fotografias: Valéria Bravo Maynard e Photo Solutions

A maratona da Art Week já está a todo vapor, com diversos eventos espalhados por Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU). ‘CAUSE conferiu de perto o mais importante deles, o Art Dubai, no complexo hoteleiro Madnat Jumeirah. A feira de arte mais importante do Oriente Médio, Norte da África e Sul da Ásia está aberta ao público desde o último dia 21 até sábado (24). Art Dubai vem consolidando, a cada ano, sua relevância na cena internacional. Do outro lado do balcão, muitas galerias estrangeiras estão de olho neste mercado rico e emergente. Afinal, são vários novos museus e centros culturais inaugurados ou anunciados na região, pesquisando e adquirindo obras de arte. 

 

Nesta edição, o Art Dubai apresenta 105 galerias de 48 países, com obras divididas entre arte Contemporânea e Moderna. Para Mina Ayad, diretora da feira, o aspecto mais importante a destacar sobre o evento é a diversidade. “Este ano, temos pela primeira vez trabalhos de países como Finlândia, Etiópia, Gana e Cazaquistão”, explicou. Ela também chamou atenção para a programação abrangente, que inclui talks para refletir sobre os avanços tecnológicos e seus efeitos na arte produzida no Oriente Médio. Com o sugestivo título “I’m Not a Robot” (Eu Não sou um Robô), a Global Art Forum examinou o poder, o potencial da automação, e também,  consequentemente, a paranoia que ela pode causar.

 

Nos últimos anos, o mercado das artes no Oriente Médio tem chamado a atenção internacional. Diversos museus e centros culturais estão, literalmente, surgindo das areias do deserto na região, dos emirados dos EAU até à Arábia Saudita, com projetos arquitetônicos arrojados. Louvre e Guggenheim Abu Dhabi, Museum of the Middle East Modern Art (MOMEMA) em Dubai, King Abdulaziz Centre for World Culture na Arábia Saudita, para citar apenas alguns dos mais importantes. Sem falar das respeitadas fundações de arte, como, por exemplo, a Sharjah Art Foundation. 

 

Para Akio Aoki, diretor da Vermelho (São Paulo), única galeria brasileira presente nesta edição, este é um aspecto que não pode ser ignorado pelas galerias de arte na hora de selecionar o artista e obras para apresentar no Art Dubai. 

“Na realidade, como aqui estão nascendo muitos museus, a gente tenta trazer o que temos de melhor em arte contemporânea porque nosso público principal ainda são os museus”, explica Aoki, que trouxe a artista mineira Cinthia Marcelle. A apresentação escolhida para a feira foi “a desinstalação do “Chão de Caça”, da Bienal de Veneza, em que a artista propõe um processo de paz”, acrescentou Aoki. Por esse trabalho, Cinthia Marcelle recebeu uma menção honrosa da 57ª edição da Bienal Internacional de Arte de Veneza, na Itália, no ano passado.

 

Residentes – uma estreia nesta edição foi a seção chamada de Residents. Como o nome sugere, foi um programa no qual 11 artistas internacionais viveram nos emirados de Dubai e Abu Dhabi. Durante o período da residência, entre quatro e oito semanas, os artistas colaboraram entre eles, envolveram-se com as comunidades locais, participaram de palestras e ainda abriram as portas dos estúdios para visitação pública. Os trabalhos resultantes da residência estão expostos pelos artistas e suas respectivas galerias num espaço especialmente destinado à nova seção na feira. 

 

Sheikha Manal Little Artist Programme_The Healing Garden by Hiromi Tango_Art Dubai 2018_Courtesy of Photo Solutions.JPG

‘CAUSE amou o Healing Garden. Um misto de oficina de arte, instalação interativa e performance da artista japonesa-australiana Hiromi Tango. O projeto acolheu cinco jovens artistas locais, com diferentes habilidades artísticas, que, orientados por Hiromi, produziram quase todo o material da instalação lúdica e colorida. Os aprendizes, chamados pela artista de “jardineiros”, criaram também suas próprias fantasias, adereços e também apelidos, baseados nos nomes das flores e plantas que incorporam. Vários alunos de cinco escolas do ensino elementar de Dubai participaram das oficinas, que incluem ainda performances de energização através da interação de luz, cores, texturas e formas. Os aprendizes-jardineiros também circulam pelos salões do Art Dubai, em performances artísticas, atraindo atenção para a oficina, localizada na área externa da feira. A iniciativa faz parte da sexta edição do programa Sheikha Manal Little Artists Program.