CÂNTICO DE OLUJA

 

 

O Cântico de Oluja

Ó tempestade, que trouxeste contigo?

A mesma solidão afogada na chuva forte que lava a dor,

 cava cicatrizes em trovoada?

 

Entre mudança pela ruptura

E permanência por correntes invisíveis

traiçoeiras em aprisionar o espirito

mesmo que a lei me consagre livre.

 

Lascívia é a pele negra

corpo que busca morada

entre coração e olhos ardendo desejo

coração e olhos que possam ama-la

 

Ó tempestade, o que trouxeste contigo?

roupas de grife, colar de madame

de que adianta quando se carrega na cor

a pobre, preterida, infame ?

 

foi preciso Oluja trazer consigo

o vigor de minha alma

até já se vê esperança

fagulha, com ardor de chama.

 

Oluja trouxe consigo bons ventos

E não mais os temo.

Nem nuvem carregada de memórias e água

Nem mesmo ele, nem mais ninguém.

Oluja trouxe consigo bons ventos e não mais os temo.

 

Ó tempestade, tu és criança

corre nas veias o sangue de guerreira

não importa o que tragas

se agitos ou mágoas

estragos ou nadas

haverás de ser corriqueira.