DANÇA DA FINITUDE

por Roberta Graham 

 Paula Costa redefine a permanência da arte através da desconstrução do tempo. 

Sobreviver através dos anos é uma das principais características das obras de arte? Toda a perícia técnica e a entrega emocional contidas numa obra fazem sentido, quando o seu objetivo não é durar? A reflexão sobre a passagem do tempo, expressada através da arte, é justamente o tema do trabalho da artista Paula Costa, que ao invés de telas ou um bloco de mármore, utiliza a matéria orgânica para contar as suas histórias. 

 

A artista conheceu cedo a aspereza da vida, quando perdeu seus pais ainda jovem. Após uma bem sucedida carreira na moda e na publicidade (Paula passou por marcas como a Farm, a Fábula,  a BB Básico e a Uncle K), foi através da expressão artística que ela conseguiu se relacionar com a própria história. O minucioso trabalho de bordar sobre flores e folhas, que exige horas de paciência e delicadeza, não é feito para durar. Quando termina sua participação numa obra, seu co-autor entra em cena. Com a ajuda do tempo, o resultado final vai mudando de forma: murchando, amarelando, decaindo, até que finalmente deixa de existir da maneira como o identificamos. Assim como a vida, assim como nós. 

Neste exercício de desapego, apenas a fotografia tem o poder de congelar um instante do tempo. Porém, da mesma maneira com que conseguimos retratar momentos da vida, mas nunca em sua totalidade de nuances, as pétalas, folhas e frutas que recebem a intervenção das agulhas de Paula são registradas, mas só serão sentidas em sua totalidade por ela mesma, no momento de criar e assistir ao espetáculo que decadência que, embora evitado a todo custo por todos nós, é o que torna cada instante da vida precioso.