ARTRIO17

Texto : Roberta Graham

Fotografia : Roberta Maria de Pádua 

Art Rio completa seu sétimo aniversário, desembarcando pela primeira vez na Marina da Glória

Grandes nomes da arte brasileira foram destaque no acervo das galerias 

Lá se vão sete anos desde que a Art Rio, feira de arte e design que reúne as principais galerias do país, além de nomes internacionais, desembarcou pela primeira vez em solo carioca. Naquele momento, vivíamos um cenário político e econômico completamente diferente no país - a saudosa euforia da época das vacas gordas - e o brasileiro começava a entender que, além dos descontos dos outlets de Miami, existia também a escolha cultural em seu cardápio de opções. 

Hoje, fomos obrigados a virar o disco e enfrentar uma realidade social bem mais áspera, que nos fez questionar nossas necessidades e hábitos de consumo. Muito se especulou sobre o destino do luxo no Brasil e vimos eventos de grande porte desapareceram do calendário da cidade. A Art Rio, no entanto, resistiu aos ventos turbulentos e segue firme na sua missão de colorir o Rio de Janeiro durante uma semana, uma vez ao ano, no mês de setembro. 

É bem verdade que mudanças foram necessárias. Não apenas por conta da crise, mas como um amadurecimento do próprio evento, os galpões do cais do porto foram trocados por um pavilhão na Marina da Glória. Ali, as galerias novas e as já consagradas, que ocupavam espaços separados dentro da mostra, passaram a dividir o mesmo teto. O público aprovou e, na estreia para jornalistas e convidados nesta quarta-feira, 13/SET, teve a chance de estar frente a frente com grandes nomes da arte brasileira e mundial. 

A redução no tamanho do evento, que passa a receber cerca de 70 expositores, não diminuiu o brilho do acervo recebido. O que pudemos notar este ano, no entanto, foi uma mudança na curadoria das obras em exposição. Nas paredes, os grandes nomes da arte brasileira foram destaque, e obras dos mesmos artistas podiam ser encontradas na maioria dos espaços. Por um lado, podemos argumentar que a inovação e o conceito fizeram falta. Por outro, analisamos que as assinaturas de Portinari, Di Cavalcanti, Cícero Dias e Volpi (entre outros) reunidas com fartura no mesmo local, justificam integralmente a ida até a Marina da Glória. Trata-se de uma oportunidade única de ver de perto os nossos clássicos da pintura reunidos. 

 

O movimento de montar uma feira com trabalhos mais comerciais e conhecidos pode ser interpretado como um sinal dos tempos. Assim como na moda, o mercado de arte entendeu que em momentos de turbulência, o consumidor sente-se receoso em arriscar, preferindo fincar seus investimentos nas escolhas certeiras. Por outro lado, é possível que esta mesma crise tenha forçado colecionadores a abrirem mão de parte de seus acervos, recheando as galerias com obras que  podiam ser encontradas apenas nas vultuosas coleções particulares, até bem pouco tempo. Sorte do público, que passa a ter ao seu alcance uma verdadeira aula de história da arte nacional. 

Ainda assim, o futuro também encontrou seu lugar naqueles corredores. A IDA, mostra de objetos de design, e a JoiArt, que reúne marcas que vêm se destacando na joalheria local, completam o time de expositores. O cenário da Marina, com sua luz de fim de tarde e os belos dias de sol com que fomos presenteados na última semana, amarram com perfeição a visita ao evento, que conta ainda com um bar e uma praça de alimentação com diversos foodtrucks. 

A Art Rio funciona desta quinta-feira, 14/SET, até o domingo, 17/SET, das 14 às 21h.